google-site-verification: googleff0548b35ec7a6b9.html (TOC) transtorno obsessivo-compulsivo: o que é, sintomas e tratamento

(TOC) TRANSTORNO OBSESSIVO COMPULSIVO

Transtorno obsessivo compulsivo sintomas

Pensamentos excessivos (obsessões) que levam a comportamentos repetitivos (compulsões).
Comum
Casos por ano: mais de 150 mil (Brasil)
-O tratamento pode ajudar, mas essa doença não tem cura
-Crônico: pode durar anos ou a vida inteira
-Geralmente diagnosticável pela própria pessoa
Não requer exames laboratoriais ou de imagem
O transtorno obsessivo-compulsivo é caracterizado por pensamentos e medos irracionais (obsessões) que levam a comportamentos compulsivos.
O (TOC) TRANSTORNO OBSESSIVO COMPULSIVO  costuma se concentrar em temas como o medo de germes ou a necessidade de organizar os objetos de uma maneira específica. Os sintomas geralmente começam de modo gradual e variam ao longo da vida.
O tratamento inclui psicoterapia, medicamentos ou ambos.
Consulte um médico para receber orientação
SINTOMAS 
Geralmente diagnosticável pela própria pessoa
-O (TOC) TRANSTORNO OBSESSIVO COMPULSIVO  costuma se concentrar em temas como o medo de germes ou a necessidade de organizar os objetos de uma maneira específica. Os sintomas geralmente começam de modo gradual e variam ao longo da vida.
As pessoas podem ter:
No comportamento: comportamento compulsivo, comportamento ritualístico, movimentos repetitivos, repetição persistente de palavras ou ações, acumulação compulsiva, agitação, hiperatividade, hipervigilância, impulsividade, isolamento social, repetição sem sentido das próprias palavras ou vício comportamental
No humor: ansiedade, apreensão, ataque de pânico, culpa ou descontentamento geral
Sintomas psicológicos: Fobia, depressão, narcisismo ou obsessões sexuais
Também é comum: aversão a comida, pensamento acelerado, pesadelos ou repetição incessante de pensamentos
Tratamento
O tratamento é feito por meio de cuidados individuais e paliativos
O tratamento inclui psicoterapia, medicamentos ou ambos.
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(TOC) TRANSTORNO OBSESSIVO COMPULSIVO (INFORMAÇÃO APROFUNDADA)

TOC,  transtorno obsessivo compulsivo, é um distúrbio psiquiátrico de ansiedade descrito no “Manual de Diagnóstico e Estatística de Transtornos Mentais – DSM V” da Associação de Psiquiatria Americana. A principal característica do TOC é a presença de crises recorrentes de obsessões e compulsões.

Jenifer checa a escova de dentes diversas vezes no banheiro para ter certeza de que não engoliu o objeto. Caio passou três horas em idas e voltas pela mesma ponte da Marginal Tietê, em São Paulo, sem conseguir chegar ao seu destino. Gleyce teve um ataque de choro ao ver uma panela suja na pia de sua casa. Esses são exemplos reais de pessoas com TOC transtorno obsessivo compulsivo, uma condição psiquiátrica que atinge ao redor de 8 milhões de brasileiros.

O TOC  Transtorno Obsessivo Compulsivo é considerado uma doença mental grave. Ela está entre as dez maiores causas de incapacitação, de acordo com a Organização Mundial de Saúde. Estima-se que cerca de 4 milhões de brasileiros sofram com a doença.

Obsessões são pensamentos, impulsos ou imagens recorrentes e persistentes que são vivenciados como intrusivos e indesejados. Compulsões são comportamentos repetitivos ou atos mentais em que um indivíduo se sente compelido a executar em resposta a uma obsessão ou de acordo com regras que devem ser aplicadas rigidamente.

 

Sintomas

A pessoa com TOC tem obsessões – pensamentos, imagens ou impulsos que ocorrem frequentemente, mesmo que ela não queira. Essas obsessões surgem mesmo quando a pessoa está pensando e fazendo outras coisas. Além disso, as obsessões normalmente causam grande angústia e ansiedade. As obsessões normalmente envolvem pensamentos de dano, risco ou perigo.

As obsessões comuns incluem:

  • Preocupação com contaminação (por exemplo, supor que tocar em maçanetas provocará alguma doença)

  • Dúvidas (por exemplo, supor que a porta da frente não foi trancada)

  • Preocupação com objetos que não estão perfeitamente alinhados ou uniformes

Uma vez que as obsessões não causam prazer à pessoa, frequentemente ela tenta ignorá-las e/ou controlá-las.

Compulsões (também chamadas de rituais) são uma forma que a pessoa tem de responder às suas obsessões. Por exemplo, elas sentem vontade de fazer algo – repetitivo, propositado e intencional – para evitar ou aliviar a ansiedade causada pelas obsessões.

 

As compulsões comuns incluem:

  • Lavar ou limpar algo para evitar contaminação

  • Verificar algo para eliminar dúvidas (por exemplo, verificar muitas vezes que uma porta está trancada)

  • Contar (por exemplo, repetir uma ação um determinado número de vezes).

  • Ordenar (por exemplo, arrumar talheres ou objetos da mesa de trabalho em um padrão específico)

     

A maioria dos rituais, como lavar as mãos com muita frequência ou verificar repetidamente se a porta está trancada, pode ser observada. Outros rituais não podem ser observados, como o cálculo repetitivo ou afirmações em voz baixa com a intenção de diminuir algum perigo.

 

Os rituais podem ser realizados de forma precisa de acordo com regras rígidas. Os rituais podem ou não estar logicamente conectados com a obsessão. Quando as compulsões estão logicamente conectadas à obsessão (por exemplo, tomar banho para evitar ficar sujo ou verificar o fogão para evitar incêndios), elas são claramente excessivas. Por exemplo, é possível que a pessoa tome banho durante muitas horas todo dia ou verifique o fogão trinta vezes antes de sair de casa. Todos os rituais e obsessões exigem tempo. É possível que a pessoa gaste horas todos os dias dedicada a eles. Eles podem causar tanta angústia ou interferir tanto com a capacidade funcional da pessoa que algumas chegam a ficar incapacitadas.

 

A maioria das pessoas com TOC possui tanto obsessões como compulsões.

 

A maioria das pessoas com TOC sabe que seus pensamentos obsessivos não refletem riscos reais e que seus comportamentos compulsivos são excessivos. No entanto, algumas pessoas estão convencidas que suas obsessões são bem fundamentadas e que suas compulsões são plausíveis.

 

Algumas pessoas com TOC estão cientes de que seus comportamentos compulsivos são excessivos. Por isso, elas geralmente realizam os rituais de maneira secreta, mesmo quando esses rituais consomem muitas horas do dia.

 

Dessa forma, os sintomas do TOC podem causar um desgaste nos relacionamentos e a pessoa com TOC pode ter um pior desempenho escolar ou no trabalho.

 

Muitas pessoas com TOC também têm outros transtornos de saúde mental. Aproximadamente 75% das pessoas com TOC também têm um diagnóstico vitalício de transtorno de ansiedade, aproximadamente 50% a 60% têm um diagnóstico vitalício de transtorno depressivo maior e 23% a 32% têm transtorno de personalidade obsessivo-compulsivo. Aproximadamente 15% a 20% das pessoas com TOC têm transtorno depressivo maior no momento em que o transtorno é diagnosticado.

 

Aproximadamente 50% das pessoas com TOC têm pensamentos suicidas em algum momento e até 25% delas comete tentativa de suicídio. O risco de haver uma tentativa de suicídio é maior se a pessoa também tiver transtorno depressivo maior.

 

Tratamento

Diagnóstico e Exames

Buscando ajuda médica

Os sintomas relacionados ao TOC não são simples preocupações com organização, limpeza ou ordem. Muitas pessoas tendem a confundir práticas comuns e cotidianas, como levantar sempre do lado direito da cama, manter a casa limpa e os copos dispostos sempre numa mesma ordem com sinais e sintomas típicos do transtorno obsessivo-compulsivo. Isso é um engano.

 

Pessoas com TOC desenvolvem essas características de forma muito mais intensa, irracional e acompanhada de interferência negativa na qualidade de vida, por exemplo diminuindo seu desempenho no trabalho, não conseguindo cumprir de regras e horários de convenções sociais, evitando interação social. E é nisso que o médico irá se basear para definir se há necessidade de ajuda de um ou mais especialistas.

Se for pai ou mãe de uma criança que esteja apresentando esses sinais, procure um médico também. Crianças também podem apresentar sintomas de TOC desde cedo e geralmente são caracterizados por necessidade de refazer ou verificar a tarefa escolar várias vezes. Quanto mais cedo o tratamento começar, melhor para o paciente.

 

Na consulta médica

Entre os especialistas que poem diagnosticar o TOC estão:

  • Clínico geral
  • Psiquiatra
  • Psicólogo
  • Neurologista
  • Pediatra

Estar preparado para a consulta pode facilitar o diagnóstico e otimizar o tempo. Dessa forma, você já pode chegar à consulta com algumas informações:

  • Uma lista com todos os sintomas e há quanto tempo eles apareceram
  • Histórico médico, incluindo outras condições que o paciente tenha e medicamentos ou suplementos que ele tome com regularidade

O médico provavelmente fará uma série de perguntas, tais como:

  • Quando os sinais e sintomas começaram?
  • Qual a intensidade destes sinais?
  • Com que frequência você apresenta essas crises de obsessão e compulsão?
  • Você se considera uma pessoa perfeccionista?
  • Quais são os seus rituais mais comuns?
  • Você mantém hábitos diários? Quais?
  • Esses rituais já interferiram diretamente em sua vida? De que forma?
  • Você já foi prejudicado em qualquer aspecto por esses pensamentos ou comportamentos? De que forma?
  • Você já procurou assistência médica antes?
  • Você faz uso de algum tipo de medicamento?
  • Você foi diagnosticado com alguma condição de saúde física ou mental? Qual? Está fazendo tratamento?
  • Os sinais foram piorando com o passar do tempo ou mantiveram-se estáveis?
  • Outras pessoas já repararam nos sinais de compulsão que você apresentou?

Diagnóstico de Transtorno obsessivo-compulsivo

Para ajudar a diagnosticar uma pessoa com TOC, o médico ou especialista em saúde mental pode solicitar a realização de determinados exames e testes, incluindo:

 

Exame físico

O exame físico é feito no próprio consultório médico e serve, principalmente, para excluir possíveis outras causas dos sinais e sintomas que a pessoa manifestou – além, é claro, de complicações de saúde de um modo geral.

 

Testes de laboratório

Estes exames podem incluir, por exemplo, um hemograma completo, triagem para detectar a presença de álcool e outras drogas no organismo, além de um check-up geral, principalmente para medir a função da tireoide e para poder iniciar tratamento medicamentoso com segurança.

Avaliação psicológica

Um médico ou profissional de saúde mental poderá lhe fazer perguntas específicas sobre seus pensamentos, sentimentos, sintomas e padrões de comportamento. O especialista pode, também, querer falar com familiares e amigos próximos, a fim de entender melhor o que se passa.

 

Critérios de diagnóstico

Para ser diagnosticada com TOC, a pessoa deve atender a determinados critérios estabelecidos no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-V), publicado pela Associação Americana de Psiquiatria. Este manual é usado por profissionais de saúde mental de todo o mundo para diagnosticar doenças mentais e também por companhias de seguros para reembolsar pacientes e familiares pelos gastos com tratamentos.

 

Critérios gerais necessários para o diagnóstico de TOC incluem:

 

  • Apresentar obsessões, compulsões ou ambos
  • Perceber ou não que as obsessões e compulsões são excessivas e irracionais
  • Crises de obsessões e compulsões são longas e persistentes e interferem no funcionamento geral da rotina e na qualidade de vida, assim como nos desempenhos no trabalho e na vida social

Tratamento e Cuidados

Tratamento de Transtorno obsessivo-compulsivo

TOC não tem cura, mas o tratamento disponível para o transtorno pode ajudar a controlar os sintomas e evitar que eles interfiram ainda mais na qualidade de vida do paciente. Em geral pessoas precisam de tratamento por toda vida, seja somente com medicação ou associado com outras abordagens como psicoterapia.

As duas principais abordagens de tratamento para TOC são a psicoterapia e o uso de medicamentos. No entanto, o tratamento é mais eficaz quando há uma combinação das duas.

 

Psicoterapia

A psicoterapia cognitivo comportamental é considerada pelos médicos como uma das formas mais eficientes de tratamento para TOC, principalmente se combinado com medicamentos. As técnicas psicoterápicas consistem em expor a pessoa gradualmente a situações em que, normalmente, ela lançaria mão de obsessões e compulsões para lidar. Esse processo continua até que o paciente consiga aprender maneiras saudáveis de lidar com a própria ansiedade, sem recorrer a essas características.

 

Medicamentos

Certos medicamentos psiquiátricos podem ajudar a controlar as obsessões e compulsões do TOC. Em geral, geral é necessário utilizar doses mais elevadas do que em outros transtornos psiquiátricos e também fazer uso contínuo por maior intervalo de tempo. Costuma-se optar primeiramente por antidepressivos, porém outras medicações como antipsicóticos e ansiolíticos também são usadas para tratar ou controlar os sintomas do TOC.

 

Medicamentos para Transtorno obsessivo-compulsivo

 

Os medicamentos mais usados para o tratamento de transtorno obsessivo-compulsivo são:

Somente um médico pode dizer qual o medicamento mais indicado para o seu caso, bem como a dosagem correta e a duração do tratamento. Siga sempre à risca as orientações do seu médico e NUNCA se automedique. Não interrompa o uso do medicamento sem consultar um médico antes e, se tomá-lo mais de uma vez ou em quantidades muito maiores do que a prescrita, siga as instruções na bula.

Convivendo (prognóstico)

Convivendo/ Prognóstico

O transtorno obsessivo-compulsivo é uma condição crônica que deve ser tratada por toda vida. Por isso, é importante encontrar formas de tornar o tratamento e a convivência com esse transtorno o mais fácil possível. Seguir o tratamento à risca é a melhor maneira de lidar bem com a doença. Tome seus medicamentos conforme indicado pelo médico. Mesmo se você estiver se sentindo bem, siga as orientações e tome sua medicação regularmente. O uso ininterrupto dos medicamentos impedem que os sintomas de TOC sejam recorrentes. Lembre-se que estar bem não é sinônimo de que não precisa mais do tratamento e sim que é ele quem está lhe ajudando a ficar bem.

Complicações possíveis

Indivíduos com transtorno obsessivo-compulsivo podem apresentar complicações ou outras doenças que não são necessariamente causadas pelo distúrbio, mas podem ser resultantes da associação de mais de um transtorno mental. Por exemplo:

Transtorno obsessivo-compulsivo tem cura?

O TOC é uma doença crônica para a qual não há cura. Os sinais e sintomas da doença oscilam entre períodos de melhora e piora ao longo de toda vida. Não é comum, no entanto, que uma pessoa diagnosticada com este transtorno vivencie períodos sem absolutamente nenhum sintoma aparente. Por essa razão, é imprescindível que pacientes com TOC sigam à risca o tratamento recomendado. A qualidade de vida tende a melhorar muito com a psicoterapia aliada ao uso de medicamentos.

Prevenção

Prevenção

Não existem formas conhecidas de se prevenir o transtorno obsessivo-compulsivo, mas é possível evitar se expor a alguns riscos que levam ao agravamento da doença como, por exemplo, não consumir bebida alcoólica e drogas ilícitas.

 

Pesquisas acadêmicas

Brazilian Journal of Psychiatry

Print version ISSN 1516-4446On-line version ISSN 1809-452X

Rev. Bras. Psiquiatr. vol.23  suppl.2 São Paulo Oct. 2001

http://dx.doi.org/10.1590/S1516-44462001000600012

Aspectos genéticos do transtorno obsessivo-compulsivo

Christina H Gonzalez

Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo/Escola Paulista de Medicina. São Paulo, SP, Brasil


ABSTRACT
Since the first descriptions of obsessive-compulsive disorder (OCD), genetic factors have been implicated in the etiology of the illness. Twin studies show a high concordance rate for monozygotic twins. Family studies found a higher risk for OCD among relatives of OCD patients. Segregation analysis studies suggest the possible role of a major effect gene in the etiology of OCD. Association studies using molecular techniques have been conducted to try to find a specific gene or polymorphism involved in OCD. This review outlines the evidence gathered to date, including the recent findings in the molecular genetics analysis.

Keywords: Obsessive-compulsive disorder. Etiology. Genetics. Genetic predisposition to disease.

Introdução

Desde o início do século XX, os autores que descreveram o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) fizeram referências à importância da hereditariedade na etiologia da doença. Pierre Janet, na sua descrição sobre a “psicastenia” em 1903,1 observou uma freqüência de 28% de psicastenia entre os genitores dos pacientes. Vários autores se dedicaram ao estudo dos aspectos genéticos do TOC e, em sua maioria, observaram que o transtorno se agrega em famílias.2

Neste artigo, descrevem-se os métodos de estudo de aspectos genéticos no TOC, os principais estudos realizados na área e seus resultados.

Estudos de gêmeos

O método de estudo de gêmeos consiste em comparar o número de pares de gêmeos monozigóticos (MZ) em que os dois indivíduos são afetados pela mesma doença com o número de pares de gêmeos dizigóticos (DZ) em que os dois indivíduos são afetados. O material genético dos gêmeos MZ é idêntico; portanto, diferenças entre os indivíduos são devidas a mutações genéticas ou a diferentes influências ambientais ou de desenvolvimento. Gêmeos DZ têm a mesma proximidade genética apresentada por irmãos nascidos em épocas diferentes. As diferenças entre esses indivíduos são atribuídas a fatores genéticos e ambientais.

Em diversos estudos de gêmeos, as taxas de concordância de TOC entre gêmeos MZ variam de 53% a 87%, enquanto para gêmeos DZ elas variam de 22% a 47%.3,4 Os dados obtidos em estudos de gêmeos reforçam a hipótese de que fatores genéticos estão envolvidos na etiologia do TOC. Como a concordância entre os gêmeos MZ é sempre inferior a 100%, outros fatores além dos genéticos devem estar envolvidos na determinação do aparecimento dos sintomas.

Não há relatos na literatura de estudos sobre as taxas de concordância de TOC entre gêmeos criados separadamente, isto é, não existem estudos de adoção.

Estudos de famílias

Vários estudos de famílias com casos de TOC realizados a partir de 1930concluíram que a sintomatologia obsessivo-compulsiva é familial. Entretanto, os resultados são controversos. Enquanto em alguns estudos a freqüência de TOC entre os parentes de primeiro grau de pacientes com TOC foi de 35%,5 em outros,6,7 não se observou aumento na freqüência de TOC entre os familiares dos pacientes. A comparação entre esses estudos é difícil, e a interpretação dos resultados deve ser cuidadosa devido aos diferentes critérios diagnósticos e metodologias utilizados.

Mais recentemente, os estudos de famílias têm utilizado critérios diagnósticos padronizados e metodologias mais adequadas. Neles, são comparadas as taxas de freqüência de uma doença entre os familiares de um indivíduo afetado pela doença (probando) com as taxas de freqüência dessa doença entre os familiares de indivíduos não afetados (controles).

Os dados dos trabalhos realizados sugerem que há maior prevalência de TOC, sintomas obsessivo-compulsivos, transtorno de Tourette e transtorno de tique motor ou vocal crônico entre familiares de pacientes com TOC.

Estudando os parentes de primeiro grau de 46 crianças e adolescentes com TOC, Lenane et al5 encontraram um risco mórbido de TOC e TOC subclínico (indivíduos com sintomas obsessivos e compulsivos que não preenchiam critérios diagnósticos de TOC) de 35%, sendo que 25% dos pais, 9% das mães e 5% dos irmãos apresentavam TOC. Entrevistando os genitores de 21 crianças e adolescentes com TOC, Riddle et al8 observaram a presença de TOC e TOC subclínico em 35,7% dos mesmos. Bellodi et al9 observaram apenas 3,4% de TOC entre os parentes de primeiro grau de 92 pacientes com TOC, mas o risco mórbido foi de 8,8% quando se consideraram apenas os pacientes com idade de início do TOC inferior a 14 anos. Dos parentes de primeiro grau de probandos com TOC de início na infância, 13% preenchiam critérios diagnósticos para TOC em estudo realizado por Leonard et al.10 Black et al11 estudaram os familiares de 32 probandos com TOC e de 33 controles sadios. Não foi encontrado maior risco mórbido para TOC entre os familiares dos probandos (2,6%) quando comparado com o grupo-controle (2,4%). Porém, quando foram incluídos parentes que tinham sintomas obsessivos e compulsivos e que não preenchiam critérios diagnósticos para TOC, o risco observado foi maior nos parentes dos probandos do que nos parentes dos controles sadios (16% versus 3%, respectivamente). Pauls et al12 estudaram, com entrevistas psiquiátricas estruturadas, parentes de primeiro grau de 100 probandos com TOC (n=466) e 133 parentes (controles) de primeiro grau de 33 indivíduos sadios. Observaram 10,9% de TOC e 7,9% de TOC subclínico nos parentes de primeiro grau dos probandos. Entre os controles, as taxas foram de 1,9% de TOC e 2,0% de TOC subclínico. Os autores também observaram uma diferença estatisticamente significativa nas taxas de transtornos de tiques (transtorno de Tourette e transtorno de tique motor ou vocal crônico) nos parentes dos probandos quando comparados aos controles: 4,6% e 1,0%, respectivamente. Os autores propuseram três fenótipos possíveis para o TOC: TOC “esporádico”, TOC com história familiar positiva e TOC associado a tiques. Em estudo recente, Nestadt et al13 concluíram que parentes de pacientes com TOC apresentam um aumento de quase cinco vezes na prevalência de TOC ao longo da vida em relação aos controles.

No Brasil,* observa-se prevalência de 6,9% de TOC entre 173 parentes de primeiro grau de 30 probandos com TOC e de 1,4% de TOC entre os controles (n=348). Observa-se também prevalência de 19,1% de sintomas obsessivos e compulsivos entre os parentes dos pacientes com TOC e de 3,2% desses sintomas entre os controles.

Estudos de análise de segregação

Nos estudos de análise de segregação, famílias de pacientes com uma doença são estudadas para se entender como esta doença se transmite de uma geração para outra. O modo de transmissão da doença num determinado grupo de famílias é estudado e é comparado com modelos teóricos para se saber qual o modelo que melhor se ajusta aos dados obtidos.

Nicolini et al14 realizaram um estudo com 24 famílias de pacientes com TOC e concluíram não ser possível excluir um modelo de transmissão autossômica recessiva. O modelo mais compatível e provável foi o de transmissão autossômica dominante com penetrância de 80%.

Os padrões de transmissão de 107 famílias de pacientes com TOC foram estudados por Cavalini et al.15 Concluíram que o modelo de transmissão mais compatível seria o autossômico dominante com penetrância maior nas mulheres.

Alsobrook et al,16 realizando análise de segregação em dados obtidos de famílias de pacientes com TOC, concluíram que nas famílias de pacientes com escores elevados de sintomas de simetria e ordenação, existe o provável envolvimento de um gene de efeito maior.

Estudos de associação

Nos estudos de associação, observa-se a freqüência de um gene ou de um determinado polimorfismo no grupo de afetados e compara-se com um grupo de controles não-afetados. Genes de receptores serotonérgicos e dopaminérgicos têm sido investigados, uma vez que esses neurotransmissores são os que apresentam uma provável implicação na fisiopatologia do TOC.

Os genes do sistema serotonérgico estudados para investigar uma possível associação com o TOC foram: genes dos receptores serotonérgicos 5HT1Db, 5HT2A, 5HT2C e transportador da serotonina.

Os genes do sistema dopaminérgico estudados foram: genes dos receptores dopaminérgicos DRD2, DRD3, DRD4 e transportador da dopamina.

Os genes das enzimas catecol-O-metiltransferase (COMT), monoamino-oxidase tipo A (MAO-A) e triptofano-hidroxilase e as enzimas envolvidas no metabolismo das aminas biogênicas, incluindo os neurotransmissores dopamina e serotonina, também foram investigados.

Os estudos moleculares realizados em probandos com TOC e seus resultados são apresentados na Tabela.

Os estudos moleculares apontam no sentido de diferenças genéticas entre TOC associado a tiques e TOC não associado a tiques20,23,28 (veja também, neste volume, artigo de Hounie et al sobre possíveis subtipos do TOC). Pacientes com TOC do sexo masculino e do sexo feminino também parecem apresentar diferenças na susceptibilidade ao transtorno.22,31

Conclusões

A maior parte dos estudos de gêmeos e de famílias apóia a hipótese de que o TOC é familiar e que fatores genéticos são importantes na expressão do transtorno. Estudos de análise de segregação sugerem o possível envolvimento de um gene de efeito maior na susceptibilidade ao TOC. Nos últimos anos, vários estudos moleculares têm sido realizados para se tentar identificar um gene envolvido na etiologia do transtorno. Até o momento, poucos são os achados positivos, e mais avanços são necessários para um melhor entendimento da contribuição de fatores genéticos na patogênese da doença.

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Correspondência: Christina H Gonzalez
Rua Botucatu, 740, 3o andar, Vila Clementino – 04023-900 São Paulo, SP, Brasil
Tel.: (0xx11) 5576-4060 – E-mail: [email protected]

Este trabalho foi realizado com apoio da Fapesp (Processo n97/2553-2).

*Gonzalez CH, Miranda MA, Del Porto JA: Estudo familiar do transtorno obsessivo-compulsivo. Pesquisa em andamento.

 

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